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Sertão do Araripe, uma terra rica e pouco explorada Entre
dificuldades e avanços, o Sertão do Araripe de Pernambuco
vive hoje um momento decisivo para a sua economia. É responsável
por 95% da produção de gesso do País, mas
a indústria gesseira depende de melhorias nas estradas
e da construção de um gasoduto para aumentar a produção
e a qualidade do produto.
A região já esteve entre os maiores produtores de
mandioca, algodão e mamona do País, porém
os longos períodos de estiagem, pragas e dificuldades na
venda prejudicaram a atividade agrícola. A Chapada do Araripe
é apontada como área com grande potencial agrícola.
Criações de caprinos, ovinos e abelhas já
estão instaladas. Mesmo assim, não há qualquer
programa dos governos Federal, Estadual ou Municipal para recuperar
o Araripe. A economia da região será discutida em
uma série de três reportagens que tem início
no JC. Os textos são de Mariana Camarotti.
Apesar da vocação econômica e natural para
várias atividades
e
de ter sido um grande celeiro agrícola, o Sertão
do Araripe de Pernambuco passa por um momento de decadência
na maioria dos setores. Já esteve entre os maiores produtores
de mandioca do País, mas a falta de um plantio adequado
e de uma variedade mais produtiva fez com
que a região fosse passada para trás. Também
já teve destaque nacional com a cultura algodoeira, mas
a praga do bicudo há mais de 10 anos vem dizimando a produção.
Hoje, a economia do Araripe está em cheque. Tem o desafio
de recuperar sua agricultura, aproveitando o bom período
de chuvas da região, criar maior estrutura para o pólo
gesseiro –q considerado o maior do Brasil – e avançar
na caprinovinocultura, apontada como grande alternativa para o
semi-árido, já que os caprinos e ovinos sobrevivem
com pouca água. “A agricultura do Araripe acabou
sendo prejudicada pelo longo período de seca e invernos
irregulares da última década.
Além
disso, a praga do bicudo praticamente acabou com a plantação
de algodão”, diz o superintendente da Empresa de
Extensão Rural e Reforma Agrária de Pernambuco (Ebape)
no Araripe, Heleno Mendes. Mesmo com as dificuldades sofridas
nas últimas décadas com seca, praga e inexperiência
da população com a comercialização,
atualmente não existe nenhum programa do Governo do Estado
ou de parceria de prefeituras para a recuperação
da economia da região. “Somente a entrega de sementes
que é feita pelo Governo é muito pouco para a região”,
admite o superintendente da Ebape no Araripe.
Para técnicos da região, a saída é
explorar as atividades potenciais. Uma grande promessa para a
economia local é a expansão da produção
de gesso, aproveitando as jazidas naturais existentes. A atividade
é uma das que mais empregam, desde a extração
do minério até a a fabricação de gesso
em pó, em placas ou em blocos. Neste mês, 19 das
73 empresas do Araripe fizeram a primeira exportação
do produto – 24 toneladas para a França, com a perspectiva
de ampliar para 52 toneladas mensais a partir de março.
No entanto, para que os negócios sejam ampliados, empresários
afirmam que é preciso investimentos em estradas para facilitar
o escoamento da produção pelo Porto de Suape. “Ano
passado deixamos de exportar para os Estados Unidos porque a carga
não tinha como chegar ao porto em pouco tempo. A estrada
é muito ruim. Isso também afasta multinacionais
que gostariam de se instalar aqui”, diz o presidente da
Super Gesso, Josias Albuquerque Filho. Outro ponto fundamental
para muitos empresários do setor gesseiro é a viabilização
de uma matriz energética para substituir de vez a queima
do minério com lenha – o que torna a produção
ecologicamente irregular – ou com o óleo BPF –
que torna a queima suja.
A idéia é usar o gás, levado por um gasoduto.
Hoje, uma média de 600 toneladas de gás chegam todo
mês ao Araripe por meio de caminhões. CAPRINOVINOCULTURA
– Por não depender das chuvas, a criação
de caprinos e ovinos no Araripe também é apontada
como alternativa econômica. Esses animais consomem bem menos
água do que os bovinos, o que lhes proporciona maior resistência
em períodos de estiagem. Outra característica positiva
em relação à região é o fato
de caprinos e ovinos se alimentarem da vegetação
típica do sertão, o que barateia a produção,
já que não dependem de ração, como
os bovinos.
A produção de mel (apicultura) também é
uma das saídas viáveis, segundo técnicos.
Depende da chuva apenas para a floração das plantas,
de onde as abelhas retiram material para fazer a cera e o mel.
Uma grande vantagem da apicultura é a possibilidade de
uma produção no quintal de casa, com a mão-de-obra
familiar e não-especializada. FERTILIDADE – A Chapada
do Araripe, principal acidente geográfico do sertão
que leva seu nome, tem nas suas encostas um dos mais férteis
solos brasileiros. É ideal para a plantação
de sequeiro, que depende das chuvas. “Lá, podem ser
plantados algodão, milho, mamona e feijão.
Mas isso ainda não é tão aproveitado”,
diz o secretário-adjunto de Produção Rural
e Reforma Agrária, Gabriel Maciel. A localização
da chapada é outro ponto positivo, já que fica na
divisa com os Estados do Ceará e Piauí que, como
Pernambuco, representam grande mercado consumidor de algodão
e farinha de mandioca. “Produzindo, não falta para
quem vender”, diz Maciel.
Jornal do Commercio Recife - 26.06.2005
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